Monitoramento Participativo da Qualidade da Água: Ciência e Cidadania
Por que monitorar a qualidade da água dos rios?
Os rios fornecem água potável para milhões de pessoas, irrigam plantações, sustentam a biodiversidade e regulam o clima. No entanto, atividades humanas como agricultura, indústria e o lançamento de esgoto podem poluí-los, colocando em risco a saúde humana e o meio ambiente. O monitoramento por meio da coleta e análise de amostras em diferentes pontos permite identificar rapidamente contaminantes.
Quais os benefícios do monitoramento?
- Garantir a qualidade da água potável: Permite identificar e tratar a poluição antes que chegue às torneiras das residências.
- Proteger a saúde ambiental: Ajudar a localizar fontes de poluição para eliminar problemas e resguardar a fauna e a flora aquáticas.
- Gerenciar recursos de forma sustentável: Fornece dados valiosos para o planejamento e a gestão hídrica, assegurando água para as futuras gerações.
- Prevenir desastres: Facilita o combate à proliferação de algas tóxicas por meio do acompanhamento contínuo.
O Projeto na Prática: Ciência de Portas Abertas
Vinculado ao Departamento de Hidráulica e Saneamento da UFPR e coordenado por Regina Tiemy Kishi, o projeto de extensão torna o monitoramento acessível à comunidade por meio de três eixos principais:
- Monitoramento de Rotina: Equipes de universitários realizam o monitoramento semanal do Córrego do Aviário (localizado nos campi da UFPR), medindo parâmetros como oxigênio dissolvido, pH, turbidez e temperatura.
- Eventos de Engajamento Público: O conhecimento é compartilhado em parques e espaços públicos, onde moradores e visitantes utilizam equipamentos e interpretam resultados em estações interativas.
- Apoio ao Ensino e Pesquisa: Os dados alimentam pesquisas voltadas para artigos e trabalhos de conclusão de curso, integrando estudantes de graduação e pós-graduação.
O Papel da Legislação e os Parâmetros de Qualidade
O acompanhamento segue diretrizes técnicas fundamentais, destacando-se as resoluções do CONAMA (como a Resolução nº 357 para águas doces, salinas e salobras), que normatizam os parâmetros de controle:
- Parâmetros Físicos: Incluem turbidez (clareza e partículas em suspensão), cor, temperatura e indicadores organolépticos (sabor e odor).
- Parâmetros Químicos: Envolvem o Oxigênio Dissolvido (OD), a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), o Potencial Hidrogeniônico (pH), além de nutrientes como nitrogênio e fósforo totais e o controle de metais pesados.
- Parâmetros Microbiológicos: Avaliam a presença de coliformes termotolerantes (fecais), indicando contaminação e riscos de patógenos.
Gestão Hídrica e Cidadania Ativa
A gestão no Brasil é compartilhada entre os governos com coordenação da Agência Nacional de Águas (ANA), mas o projeto reforça que a conservação exige corresponsabilidade social. Cada cidadão compreende que as ações a montante (rio acima) afetam diretamente a qualidade da água a jusante (rio abaixo). Para assumir um papel ativo, podemos:
- Consumir com consciência: Evitar o desperdício e adotar práticas de reuso.
- Descartar resíduos corretamente: Prevenir o descarte de lixo nos rios e redes de esgoto.
- Exercer a cidadania: Compreender os parâmetros hídricos para cobrar transparência e políticas públicas eficazes de saneamento.
Nosso Compromisso
A iniciativa promove uma alfabetização socioambiental e está alinhada à Agenda 2030, atuando diretamente no ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e no ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) para garantir fontes de vida e saúde para as presentes e futuras gerações.