Quatro pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão entre os trabalhos reconhecidos pelo Prêmio CAPES de Tese – Edição 2026. Entre elas estão duas pesquisas do Setor de Tecnologia: as teses de Ariane Fatima Murawski de Mello, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, e Giulia Herbst, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química.
Os trabalhos têm em comum a busca por alternativas para o desenvolvimento de materiais a partir de processos biotecnológicos e do aproveitamento de biomassa. A pesquisa de Ariane foi reconhecida com o Prêmio CAPES de Tese em sua área e também recebeu o Prêmio CAPES de Tese – Dimensions Sciences. Já a tese de Giulia recebeu Menção Honrosa na premiação.
As teses são avaliadas com base em critérios como originalidade, relevância científica e social, robustez metodológica, qualidade da redação, inovação e impacto dos produtos gerados a partir da pesquisa.
A cerimônia de entrega do prêmio será realizada no dia 12 de novembro, em Recife (PE).
As pesquisas abordam temas como território indígena, bioplásticos, materiais sustentáveis e carboidratos complexos com potencial terapêutico
A tese de Ariane, intitulada First-generation biorefinery for the production and recovery of polyhydroxybutyrate, investiga a produção e a recuperação de polihidroxibutirato (PHB), um bioplástico renovável e biodegradável com potencial para substituir plásticos produzidos a partir do petróleo. O trabalho foi desenvolvido com orientação da professora Luciana Porto de Souza Vandenberghe e coorientação do professor Carlos Ricardo Soccol.
A pesquisa foi pautada pelo conceito de economia circular e incluiu o desenvolvimento de um processo completo, desde a fermentação até a recuperação e purificação do material. A proposta considera a possibilidade de integração da produção do bioplástico a processos já existentes em biorrefinarias de etanol de primeira geração.
A pesquisa deu origem a uma nova linha de estudos na UFPR. Atualmente, pelo menos três pessoas desenvolvem projetos relacionados aos resultados obtidos durante o doutorado.
Além do reconhecimento no Prêmio CAPES de Tese na área Biotecnologia, a pesquisa recebeu o Prêmio CAPES de Tese – Dimensions Sciences, uma premiação adicional concedida em parceria com a organização estadunidense Dimensions Sciences focada em reconhecer o protagonismo de mulheres cientistas no Brasil. A premiação, criada em 2020,avalia os melhores trabalhos de doutorado na área de Biotecnologia, com ênfase em critérios de inovação e empreendedorismo.
A tese de Giulia Herbst, intitulada Structuring bio-based composites From fiber to lignin: Silylation strategy for enhancing poly(lactic acid) / lignocellulosic biocomposite properties, recebeu Menção Honrosa no Prêmio CAPES de Tese 2026.
Desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da UFPR, em parceria com a Universitat de Girona (UdG), na Espanha, a pesquisa investiga o uso de biomassa lignocelulósica, incluindo resíduos da indústria de papel e celulose, na produção de biocompósitos poliméricos com matriz de poliácido láctico (PLA). O trabalho foi desenvolvido com orientação do professor Marcos Lucio Corazza e coorientação dos professores Luiz Pereira Ramos e Marc Delgado Aguilar.
O estudo analisou como diferentes tratamentos e modificações das fibras e das frações de lignina influenciam a estrutura, o processamento e as propriedades dos materiais. A proposta é utilizar resíduos como componentes de materiais de maior valor agregado e investigar alternativas aos polímeros de origem fóssil.
A pesquisa também busca enfrentar limitações do PLA. Embora seja produzido a partir de fonte renovável e seja biodegradável em condições específicas, o material apresenta características que restringem algumas aplicações. A utilização de fibras lignocelulósicas como reforço é estudada como estratégia para melhorar propriedades mecânicas e de processamento dos biocompósitos.